Alugar uma casa para o Réveillon costuma ser aquele plano feito com expectativa alta: reunir família e amigos, garantir um lugar bem localizado e aproveitar a virada com tranquilidade. Só que, nos últimos anos, também virou um dos períodos preferidos de golpistas para aplicar o famoso golpe do aluguel de temporada, quando o imóvel anunciado simplesmente não existe, não está disponível de verdade ou nem pertence a quem está “alugando”.
Se você descobriu isso agora (ou pior, já chegou ao destino e percebeu que caiu em uma armadilha), a sensação é de choque e impotência. Mas há passos práticos que você pode seguir imediatamente para tentar reverter o prejuízo, reunir provas, acionar banco e plataformas, registrar ocorrência e aumentar suas chances de recuperar o dinheiro.
Neste texto, vamos te mostrar o que fazer, por onde começar e como se proteger para não passar por isso novamente. Continue a leitura e saiba como agir em caso de golpe do aluguel de temporada.
Aluguei uma casa para o Réveillon que não existe. O que fazer??
Antes de mais nada: respira. Infelizmente esse tipo de golpe em aluguel de temporada, principalmente para Réveillon, está cada vez mais comum, mas você não está de mãos atadas. Dá para agir para tentar recuperar o dinheiro e ainda responsabilizar quem te enganou.
Vou dividir em passos práticos, na ordem do que você deve fazer. Confira:
1. Confirme e documente que foi realmente um golpe
Se você chegou ao local e percebeu que a casa não existe ou não está para aluguel, é importante juntar provas:
- Tire fotos e vídeos da fachada, da rua e do número da casa (ou da ausência dele);
- Filme você mostrando o endereço que consta no anúncio e o local real;
- Se tiver um morador no imóvel, registre (com autorização) ele dizendo que ali não há aluguel de temporada.
Guarde tudo: prints do anúncio, conversas por WhatsApp/Instagram/e-mail, comprovante de pagamento, dados bancários de quem recebeu o dinheiro, perfil usado para anunciar.
Essa documentação é essencial para conseguir provar algo para a polícia, banco, Procon e para um eventual processo judicial.
2. Interrompa qualquer pagamento imediato
- Não faça novos depósitos “para garantir a reserva”;
- Não caia em desculpas do tipo “vou devolver depois” ou “só falta pagar a taxa da imobiliária”;
- Se havia combinado parcelas futuras, suspenda imediatamente.
Fique atento: o golpista costuma tentar tirar mais dinheiro justamente quando percebe que a vítima começou a desconfiar.
3. Veja como você pagou e aja rápido
O caminho muda um pouco conforme a forma de pagamento. Confira abaixo como agir em cada situação:
Se você pagou por Pix
- Entre em contato com o banco imediatamente (app, telefone ou agência);
- Informe que foi vítima de golpe de aluguel de temporada e peça para abrir um processo de contestação;
- Peça o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), explicando que se trata de fraude;
- Anote número de protocolo, nome de atendente, horário e tudo o que for dito.
Mesmo que o dinheiro já tenha sido sacado, muitos casos recentes têm conseguido ao menos parte da devolução, porque os bancos e instituições de pagamento têm responsabilidade em situações de fraude, especialmente quando há falhas na prevenção.
Se você pagou no cartão (crédito ou débito)
- Fale com a operadora do cartão e peça contestação da compra (chargeback) por fraude;
- Explique que se tratava de aluguel de imóvel que não existe ou não era do anunciante;
- Envie as provas que tiver (prints, fotos, boletim de ocorrência assim que fizer).
Se você pagou por transferência TED/DOC ou boleto
- Avise o banco sobre o golpe e peça orientação formal por escrito;
- Informe dados da conta que recebeu o dinheiro e peça que registrem a ocorrência interna.
Mesmo sendo mais difícil bloquear, esses registros ajudam na investigação e no processo judicial.
4. Registre um boletim de ocorrência (B.O.)
Mesmo que você ache que “não vai dar em nada”, o B.O. é fundamental:
- Faça o boletim de ocorrência na delegacia (ou pela delegacia online, se o seu estado permitir);
- Deixe claro que se trata de golpe de aluguel de temporada, com promessa de imóvel para Réveillon que não existe ou que não está disponível;
- Informe todos os dados que tiver: nome, CPF, conta bancária, telefone, e-mail, prints, tudo.
5. Se o golpe aconteceu em uma plataforma, acione o suporte
Se você contratou por site ou app como Airbnb, Booking, OLX, redes sociais com intermediação, etc.:
- Abra reclamação na própria plataforma;
- Envie prints, comprovantes de pagamento e, se já tiver, o B.O;
- Verifique se a plataforma tem programa de proteção ao hóspede ou política de reembolso para fraudes.
Tudo isso também serve como prova de que você tentou resolver direto com o intermediário.
6. Procure o Procon e, se necessário, o Juizado Especial Cível
Com todas as provas em mãos, chegou a hora de registrar uma reclamação no Procon da sua cidade ou do seu estado. Avalie também entrar com ação no Juizado Especial Cível, de pequenas causas.
Lembre-se que um advogado pode ajudar a estruturar melhor o pedido. Acesse Quero Meus Direitos e saiba mais sobre como resolver golpe de aluguel de temporada.
Como evitar passar por isso de novo?
Depois que tudo passar, vale adotar alguns cuidados para qualquer aluguel de temporada:
- Desconfie de preços muito abaixo da média da região, principalmente em alta temporada como Réveillon, Carnaval e feriados prolongados;
- Evite pagar tudo antecipado para desconhecidos fora de plataformas seguras;
- Pesquise o endereço no Google Maps, veja se as fotos batem com a realidade da rua;
- Use busca reversa de imagens para ver se as fotos não foram “roubadas” de outros anúncios;
- Prefira pagamentos por meios que permitam contestação como cartão e plataformas com sistema de proteção ao consumidor;
- Cheque avaliações de outros hóspedes, histórico do anunciante e tempo de cadastro no site.
Lembre-se de prezar por sua segurança acima de tudo. Por isso, pesquise bastante antes de fechar uma casa de aluguel de temporada para o Réveillon.
